Mulher usa nebulizador em casa durante quadro de coinfecção respiratória

Causas, sintomas e diagnóstico da coinfecção respiratória

A coinfecção respiratória acontece quando dois ou mais agentes infecciosos estão presentes no trato respiratório durante o mesmo episódio de doença. Isso significa que uma pessoa pode, por exemplo, apresentar simultaneamente infecção por influenza e SARS-CoV-2 ou ter diferentes vírus respiratórios detectados em uma mesma amostra.

Essa possibilidade ganha importância porque diferentes infecções respiratórias podem produzir manifestações clínicas muito semelhantes. Conforme o Ministério da Saúde, influenza, SARS-CoV-2, vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus, adenovírus, parainfluenza, metapneumovírus e outros coronavírus podem apresentar características clínicas pouco específicas e circular no mesmo período, tornando o diagnóstico laboratorial importante para a identificação etiológica.

Por isso, diante de uma possível infecção respiratória por múltiplos patógenos, identificar apenas os sintomas pode não ser suficiente. Métodos moleculares capazes de pesquisar vários agentes simultaneamente, como o PCR multiplex respiratório, podem ampliar as informações disponíveis para o diagnóstico diferencial.

O que é coinfecção respiratória?

A coinfecção respiratória é caracterizada pela presença de dois ou mais agentes infecciosos durante um mesmo episódio de infecção do trato respiratório. Ela pode envolver dois vírus diferentes ou, em determinadas situações, agentes pertencentes a grupos distintos, como vírus e bactérias.

A ocorrência de uma coinfecção viral não significa que um vírus necessariamente tenha causado a infecção pelo outro. O que acontece é que os períodos de infecção se sobrepõem. A circulação simultânea de diferentes agentes respiratórios aumenta as oportunidades de uma pessoa entrar em contato com mais de um deles.

Segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), é possível ter mais de uma doença respiratória viral ao mesmo tempo. O órgão cita, por exemplo, coinfecções por influenza e Covid-19 e até a presença simultânea de diferentes vírus influenza.

A coinfecção por vírus respiratórios também deve ser diferenciada de uma infecção secundária. Na coinfecção, dois ou mais patógenos estão presentes durante períodos sobrepostos da doença. Já uma infecção secundária ocorre quando uma nova infecção se desenvolve durante ou após uma infecção inicial.

Essa diferença pode ser relevante porque febre, tosse, congestão nasal, dor de garganta e outros sintomas não revelam, isoladamente, quantos ou quais agentes estão envolvidos.

Quais vírus podem causar coinfecção?

Diferentes vírus respiratórios podem estar envolvidos em uma coinfecção. Entre os agentes frequentemente investigados em quadros respiratórios estão:

Vírus respiratórioInfecções relacionadas
Influenza A e BGripe;
SARS-CoV-2Covid-19;
Vírus sincicial respiratórioInfecções respiratórias, incluindo bronquiolite e pneumonia em grupos vulneráveis;
RinovírusFrequentemente associado ao resfriado comum;
AdenovírusPode causar diferentes manifestações respiratórias;
Metapneumovírus humanoPode atingir tanto as vias superiores quanto as inferiores do sistema respiratório;
Vírus parainfluenzaAssociado a diferentes infecções respiratórias;
Coronavírus sazonaisPodem provocar quadros respiratórios, geralmente diferentes da Covid-19.

A circulação desses patógenos pode ocorrer de maneira simultânea. O CDC destaca que influenza, SARS-CoV-2, VSR e outros vírus respiratórios podem cocircular e provocar doenças respiratórias agudas com sinais e sintomas semelhantes.

Quais são os sintomas de uma coinfecção respiratória?

Não existe um conjunto de sintomas exclusivo da coinfecção respiratória. As manifestações dependem dos patógenos presentes, da idade, das condições de saúde da pessoa, da resposta imunológica e da gravidade das infecções.

Entre os sintomas que podem aparecer nas infecções respiratórias estão:

  • Febre ou calafrios;
  • Tosse;
  • Coriza;
  • Congestão nasal;
  • Dor de garganta;
  • Dor de cabeça;
  • Fadiga;
  • Dores musculares;
  • Espirros;
  • Chiado no peito em determinados quadros;
  • Falta de ar ou dificuldade para respirar nos casos mais graves.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), Covid-19 e influenza, por exemplo, podem produzir sintomas semelhantes, como tosse, coriza, dor de garganta, febre, cefaleia e fadiga.

O VSR também pode provocar coriza, tosse, espirros, febre e congestão nasal, segundo o Ministério da Saúde. Em grupos vulneráveis, a infecção pode evoluir para manifestações respiratórias mais graves.

Essa sobreposição ajuda a explicar por que os sintomas, sozinhos, não permitem confirmar uma coinfecção viral. Eles também não revelam necessariamente qual patógeno está causando o quadro.

Como é feito o diagnóstico de coinfecção respiratória?

O diagnóstico começa pela avaliação clínica, considerando sintomas, histórico do paciente, circulação epidemiológica dos agentes e fatores de risco. Entretanto, quando é necessário determinar a etiologia da infecção, os testes laboratoriais tornam-se particularmente importantes.

Isso ocorre porque diferentes doenças respiratórias podem apresentar quadros muito semelhantes. o CDC afirma, por exemplo, que não é possível diferenciar influenza e Covid-19 apenas pelos sintomas e que a testagem pode inclusive revelar a presença simultânea das duas infecções.

Entre os métodos disponíveis estão testes de antígeno e técnicas moleculares de amplificação de ácidos nucleicos. Para compreender as diferenças entre as metodologias, leia o artigo sobre os tipos de exame PCR que explica como a amplificação de material genético pode ser utilizada para identificar vírus, bactérias e outros alvos.

Em uma investigação de coinfecção respiratória, a amplitude do teste é especialmente relevante. Um teste direcionado a apenas um patógeno responde se aquele alvo específico foi detectado. Um painel multiplex, por sua vez, pode pesquisar vários agentes na mesma investigação.

O CDC recomenda, em determinados contextos clínicos em que influenza e SARS-CoV-2 estão cocirculando, o uso de testes moleculares multiplex capazes de detectar os dois agentes. Em orientação atualizada em 2026, o órgão também destaca testes multiplex para influenza A/B, SARS-CoV-2 e VSR.

Essa abordagem contribui para o diagnóstico diferencial, principalmente quando diferentes patógenos produzem manifestações semelhantes. Abordamos essa relação no conteúdo sobre diagnóstico diferencial em doenças infecciosas, destacando a diferenciação entre influenza, VSR, SARS-CoV-2 e agentes bacterianos em infecções respiratórias.

Como a PCR multiplex possibilita investigar múltiplos agentes simultaneamente?

A PCR convencional pode ser direcionada à identificação de uma sequência genética específica. Já a técnica multiplex utiliza diferentes conjuntos de primers e sondas para pesquisar mais de um alvo em uma mesma análise, de acordo com a configuração de cada ensaio.

Por isso, um painel respiratório PCR pode ser especialmente útil quando há suspeita de infecção respiratória por múltiplos patógenos. Em vez de investigar cada possível agente de forma isolada, a metodologia permite pesquisar diversos alvos moleculares dentro de um mesmo fluxo diagnóstico.

O CDC explica que testes multiplex de ácidos nucleicos podem detectar e diferenciar vários vírus respiratórios. Esse tipo de abordagem pode fornecer informações que auxiliam decisões clínicas e medidas de prevenção e controle.

PCR multiplex respiratório da Seegene

A Seegene desenvolve soluções de PCR em tempo real multiplex destinadas à detecção simultânea de diferentes agentes respiratórios.

O PCR multiplex respiratório Allplex™ Respiratory Panel Assays utiliza RT-PCR em tempo real multiplex one-step e, permite detectar e identificar um conjunto de 26 patógenos do trato respiratório, composto por 16 vírus, três subtipos de influenza A e sete bactérias.

A solução é dividida em quatro painéis:

  • Allplex™ Respiratory Panel 1, direcionado a influenza A e B, VSR e B,  além da subtipagem de influenza A; 
  • Allplex™ Respiratory Panel 2, que investiga adenovírus, enterovírus, metapneumovírus e parainfluenza 1 a 4;
  • Allplex™ Respiratory Panel 3, destinado a bocavírus, rinovírus e coronavírus sazonais 229E, NL63 e OC43;
  • Allplex™ Respiratory Panel 4, que contempla sete agentes bacterianos respiratórios, incluindo Bordetella pertussis, Haemophilus influenzae, Legionella pneumophila, Mycoplasma pneumoniae e Streptococcus pneumoniae.

Um diferencial tecnológico da solução é a MuDT™, tecnologia proprietária da Seegene que permite obter valores individuais de Ct para múltiplos analitos em um único canal do equipamento de PCR em tempo real.

Para uma triagem viral mais direcionada, a Seegene também disponibiliza o Allplex™ RV Master Assay, que detecta simultaneamente oito grupos de vírus respiratórios em uma única reação: SARS-COV-2, influenza A, influenza B, VSR, metapneumovírus, parainfluenza, adenovírus e rinovírus .

Outra solução é o Allplex™ SARS-CoV-2/FluA/FluB/RSV Assay, desenvolvido para detectar e diferenciar, em um único tubo, SARS-CoV-2, influenza A, influenza B e VSR A/B. Essa combinação é particularmente relacionada a cenários em que esses agentes cocirculam e provocam manifestações clínicas semelhantes.

Dessa forma, o PCR multiplex respiratório amplia a investigação etiológica ao possibilitar a pesquisa de vários agentes no mesmo fluxo analítico. Em casos de coinfecção respiratória, essa capacidade ajuda a evidenciar que mais de um patógeno está presente, fornecendo informações que podem apoiar o diagnóstico diferencial e a avaliação clínica.

A interpretação dos resultados deve sempre considerar o quadro clínico, o tipo e a qualidade da amostra, o método utilizado e as características do ensaio. A detecção molecular indica a presença dos alvos pesquisados, mas os resultados laboratoriais não devem ser avaliados isoladamente.

FAQ sobre coinfecção respiratória

A coinfecção respiratória pode gerar dúvidas porque diferentes vírus e bactérias circulam simultaneamente e muitas infecções apresentam manifestações semelhantes. Confira algumas respostas importantes sobre o tema.

1. O que causa uma coinfecção respiratória?

A coinfecção ocorre quando uma pessoa é infectada por dois ou mais patógenos respiratórios em períodos que se sobrepõem. Isso pode acontecer quando diferentes agentes estão circulando simultaneamente e a pessoa entra em contato com mais de um deles.

A coinfecção não significa necessariamente que um microrganismo tenha provocado a infecção pelo outro. Ela descreve a presença concomitante de múltiplos agentes durante o mesmo episódio infeccioso.

2. É possível ter dois vírus respiratórios ao mesmo tempo?

Sim. Uma pessoa pode apresentar uma coinfecção por vírus respiratórios, com dois ou mais vírus detectados durante o mesmo período.

Segundo o CDC, já são documentadas combinações como influenza e SARS-CoV-2, além de influenza e VSR. A instituição ressalta que é possível adquirir mais de uma doença respiratória viral ao mesmo tempo.

3. Pode ocorrer coinfecção viral e bacteriana?

Sim. Uma coinfecção respiratória também pode envolver vírus e bactérias. Por isso, a investigação de doenças respiratórias não se restringe necessariamente aos agentes virais.

A solução Allplex™ Respiratory Panel Assays da Seegene abrange painéis para vírus respiratórios e um painel para bactérias associadas a infecções respiratórias, totalizando a cobertura declarada de 16 vírus, três subtipos de influenza A e sete bactérias.

A presença de um agente viral e de um bacteriano, entretanto, deve ser interpretada dentro do contexto clínico e laboratorial de cada paciente.

4. Qual a diferença entre coinfecção e infecção secundária?

Na coinfecção, dois ou mais agentes infecciosos estão presentes durante períodos sobrepostos de uma doença.

A infecção secundária pressupõe uma sequência temporal: uma nova infecção surge durante ou após uma infecção inicial. Um exemplo possível é o desenvolvimento de uma infecção bacteriana após uma infecção viral.

Na prática clínica, estabelecer essa diferença depende da evolução do quadro, do momento de coleta das amostras e dos resultados laboratoriais, e não apenas dos sintomas apresentados.

5. Qual a importância do diagnóstico diferencial em infecções respiratórias?

O diagnóstico diferencial é importante porque vários vírus respiratórios podem provocar febre, tosse, coriza, dor de garganta, fadiga e outros sintomas semelhantes.

Conforme o Ministério da Saúde, a inespecificidade das manifestações das infecções respiratórias e a possibilidade de diferentes vírus circularem ao mesmo tempo tornam o diagnóstico laboratorial relevante para a identificação do agente etiológico.

Nesse cenário, métodos como o painel respiratório PCR ajudam a diferenciar os agentes pesquisados e podem revelar uma coinfecção respiratória. Quando realizados por PCR multiplex, esses testes permitem investigar diversos alvos simultaneamente, ampliando as informações disponíveis para apoiar o diagnóstico e a condução clínica.

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